Além de sua capacidade de corrigir a acidez do solo, o efeito nutricional do calcário dolomítico é fundamental.

Para se elaborar um plano de amostragem, deve-se dividir a propriedade em áreas homogêneas de no máximo 20 ha. Através da interpretação da análise química da amostra, feita por um engenheiro agrônomo, é que se define a quantidade de calcário a ser utilizado. A quantidade de calcário necessária à correção da acidez e elevação da saturação de bases é determinada pela análise da terra; varia, geralmente, de 6 a 7 t / ha, na abertura de área, e de 1 a 3 t / ha, nas aplicações seguintes, dependendo do solo e da cultura.

Fatores a considerar

• Análise de solo (química e textura);

• Análise foliar;

• Sintomas de deficiência de cálcio e magnésio e toxidade por alumínio e manganês;

• Fatores que afetam a disponibilidade dos nutrientes;

• Histórico da área (doses de calcário e adubos, produções, práticas de preparo, época de plantio e outros).

Fatores que contribuem para a acidificação e empobrecimento dos solos

• Alta produtividade;

• Extração de cálcio e magnésio pelas plantas;

• Precipitação (a água da chuva lixivia nutrientes);

• Fertilizantes (nitrogenados reagem com elementos do solo e o acidificam);

• Decomposição da matéria orgânica (compostos derivados da decomposição reagem com o cálcio e o magnésio, provocando acidez);

• Remoção das camadas superficiais por erosão;

• Irrigação.

Garantia de pureza.

O calcário é um produto industrializado, feito de rochas puras. Isso quer dizer que ele não contém impurezas e elementos químicos prejudiciais ao solo e às plantas, nem apresenta o efeito esterilizante ao solo que ocorre quando a correção é

feita com cal. Alguns corretivos oferecidos no mercado provêm de subprodutos e rejeitos industriais e podem conter metais pesados e sódio, que envenenam e salinizam a terra. Esses “corretivos” normalmente provêm de indústrias siderúrgicas, químicas e de papeleiras.

A importância nutritiva do Calcário Dolomítico.

Um calcário deve ser escolhido pelos seus teores de cálcio e magnésio e sua pureza química (PN). Se os níveis desses macronutrientes no solo não estiverem acima de suas necessidades mínimas, os outros nutrientes adicionados pelos fertilizantes — que chegam a custar até 15 vezes mais! — não farão com que se atinjam os melhores índices de produtividade, mesmo que se utilizem sementes que respondam bem à adubação.

Além disso, as plantas podem enfraquecer com a deficiência de cálcio, apresentando sintomas como atrofia do sistema radicular, desastroso em um período de seca. O magnésio, por sua vez, é um ativador de várias enzimas relacionadas à síntese de carboidratos e de ácidos nucleicos. No caso de sua deficiência, haverá graves perdas no processo de fotossíntese.

Por esse motivo, as recomendações de calagem são quase sempre baseadas no uso do calcário dolomítico, que é o ideal para a agricultura. Além de corrigir a acidez do solo, o calcário domomítico supre melhor as demandas de macronutrientes como cálcio e magnésio, cujos níveis adequados no solo devem ser mantidos, independentemente de sua relação, a qual não tem importância no que diz respeito ao crescimento e à produtividade das plantas, como demonstram estudos científicos. A oferta de calcário dolomítico também atende melhor as demandas, em qualquer época, e seu custo é baixo.

O PRNT.

O Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT) é o índice que mede a proporção de calcário que reagirá em até 90 dias, considerando-se que o solo tenha umidade suficiente para promover a reação.

Um calcário que esteja totalmente moído abaixo de 2 mm irá reagir com o solo da mesma forma que um calcário finamente moído. Calcários com granulometrias mais grossas deveriam ser preferidos, principalmente em áreas sob sistema de plantio direto, pastagens e culturas perenes. Um calcário fino reagirá num prazo menor do que um calcário mais grosso, mas isso não significa que este não reagirá. Pelo contrário, o seu efeito residual será maior em comparação com o calcário mais fino, entretanto, é fundamental dar preferência a produtos com alta qualidade quimíca (PN igual a 100%).

O PRNT é expresso pela seguinte equação.

PRNT = PN X RE(%)

100

PN é o poder de neutralização do corretivo, que indica a pureza química da rocha, ausente de impurezas, em bases neutralizantes.

RE é a taxa de reatividade do corretivo, representa o grau de finura das partículas do calcário.

Efeito residual.

É a quantidade de calcário que irá reagir após 90 dias. O efeito residual é determinado pela diferença entre o PN e o PRNT do calcário. Os efeitos da calagem podem se prolongar por vários meses, dependendo da cultura, da granulometria do calcário e de seu PN.

Classificação dos calcários agrícolas.

Quanto à concentração de MgO (óxido de magnésio).

• Calcário calcítico – menos de 5% de MgO

• Calcário dolomítico – acima de 5% de MgO

Métodos de cálculo de dosagem.

Os dois métodos mais ajustados às condições dos solos brasileiros para a verificação da necessidade de calcário são o da saturação por bases (V%), normalmente recomendado (entre 60 e 80%), e o cálculo da reposição de cálcio e magnésio necessários ao solo e à nutrição da planta.

Época de aplicação.

O ideal é o calcário ser aplicado de dois a três meses antes da primeira adubação em culturas perenes ou anuais. Porém, ele sempre deve ser aplicado, mesmo se não houver esse tempo. No caso de pastagens, o calcário deve ser aplicado após o rebaixamento ou corte das plantas.

Estudos indicam que para se repor os níveis de cálcio e magnésio que são extraídos anualmente pelas principais culturas são necessários cerca de 800 kg de calcário dolomítico por hectare.